Forças e Motivos
Ela gostava de sonoridade, de poesia moderna. Gostava de dias agitados e de comida italiana. Faria qualquer coisa, tinha a energia necessária para virar o mundo. Gostava de dançar e de gente ao redor. Poderia convencer qualquer um de qualquer coisa: tinha o tipo de força perfeita para mudar opiniões, motivar massas, enfrentar sistemas. Precisava de recompensas imediatas, de pagamentos em dinheiro, de roupas novas e elogios.
Ele gostava de poesia clássica, lida num dia calmo. Faria qualquer coisa desde que num bom dia, ou que valesse um desses. Gostava de casais e de valsar. Precisava de longas horas para tratar um assunto, de uma promessa para continuar um dia, de algo que fizesse tudo – ou pelo menos uma parte do tudo – valer a pena. Tinha o tipo de força para continuar as grandes mudanças – mas precisava de um sorriso alheio, de um momento sozinho.
E eles andaram juntos. Os tipos de força que existem para se contradizer e manter o mundo equilibrado andaram juntas e se tornaram amigas, partilhando segredos e características.
E as forças se apaixonaram. Ao menos a metade que podia se apaixonar.
Como em toda paixão, mediram-se. Mediram as forças e as fraquezas, mudaram a si ao outro. Choraram, riram, aproveitaram, perderam tempo, ganharam oportunidades.
Mas eles eram forças opostas: deviam subtrair-se e, o que restasse, continuaria. Não deveriam resistir-se ou cooperar, assim era sua natureza. E ele caiu.
Ela continuou e ele ficou. Ela riu falsamente, carregou a vida nas costas e ia continuar tentando mudar o mundo – para que a servisse.
Ele levantou-se, bateu a poeira e caminhou assoviando no sentido contrário. Havia subtraído algo dela, algo no que ele tinha acertado, e ela, errado.
Ele tinha bons motivos.
Frase do dia:
“Mesmo com tantos motivos
Para deixar tudo como está
Nem desistir nem tentar agora
Tanto faz.”
Por Enquanto – Legião Urbana
4/ Março /2008 às 9:15 pm
Num sei muito o que dizer. Gostei é o suficiente?